07jan
2016
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Mais uma vez a rede Globo acabando com o Babywearing…

E lá vamos nós, explicar tudo que a #globo mostrou de errado no uso do sling…

Anelise Amaral carregando sua Lucy num sling de argolas, de forma segura.

Anelise Amaral carregando sua Lucy num sling de argolas, de forma segura.

Muitos devem ter assistido ao programa da Fátima Bernardes na Globo hoje, falando sobre “Criação com Apego” e uso de sling. Pra quem não assistiu, vou postar o link abaixo pra entender.

Trabalho com babywearing há anos, desde 2007, e sempre foi uma luta grande conseguir divulgar informações corretas sobre isso. Hoje, minha intenção não é falar mal da emissora ou a qualidade e falta de critérios em suas matérias, mas sobre muitas informações erradas e prejudiciais que foram expostas hoje. Não entrarei na questão da criação com apego, pois meu foco aqui é a importância de um babywearing seguro, e isso já dará muito o que falar.

Primeiro de tudo, queria explicar à linda apresentadora (que não era a Fátima), que sling NÃO é canguru, embora ambos sejam carregadores de bebês. Se você quiser saber mais sobre a diferença dos dois, ou mais sobre os problemas do canguru tradicional, leia aqui.

O bebê deve ficar sempre bem firme e agarradinho na mãe, mesmo não estiver sendo carregado nas costas.

Thais Maciel, com seu Josué bem firme e agarradinho, mesmo sem ser carregado nas costas.

Segundo, o vídeo mostra uma mãe usando um sling de MALHA com um bebê já bem grandinho NAS COSTAS, de uma forma completamente errada. Me perdoem o casal em questão, mas eles estão fazendo um péssimo uso do wrap que possuem e podendo causar acidentes, pois visivelmente o bebê não está seguro ali. A malha, é um material usado NO BRASIL, uma adaptação brasileira devido à falta de materiais similares aos importados, mas não é um material ADEQUADO para o babywearing. Além de ser mais quente, não permite o suporte correto dos bebês maiores. Consideramos que pode sim ser usada no processo da extero-gestação e com prematuros, onde o bebê ainda é bem pequeno e seu peso ainda bem suportado pelo material, mas conforme o bebê fica maior, ela não possibilita o ajuste correto e não dá o suporte adequado ao bebê, além de que o peso do bebê faz o chamado “quique” conforme o adulto anda, e isso não é bom pra fisiologia do bebê e nem do adulto. Nós, profissionais ligados ao babywearing, nos preocupamos com este tipo de mídia, pois pode transformar uma prática extremamente benéfica em algo prejudicial e até FATAL.

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Dryfit de poliamida com microfuros próprio para wrap sling da Mamy Mamy.

O terceiro ponto é o sling furadinho que apareceu. Legal, né? Deve ser bem fresco um wrap com aqueles furinhos… mas não. Eu posso listar uma infinidade de motivos contra este tipo de tecido, dentre eles a facilidade de rasgar, o excesso de elasticidade, e a chance de lesionar o bebê ou até causar amputação de algum dedinho. Parece exagero? Parece, mas não é. Se o dedo do bebê entrar num daqueles furos e você não ver, pode prender a circulação e, dependendo do tempo, causar danos irreversíveis. O dryfit, é um tipo de tecido que pode ser usado para carregar bebês, mas seus furos devem ser bem pequenos, quase microfuros, ele deve ser de poliamida, que é um material que não causa alergias e não retém calor. Estes com furos maiores GERALMENTE são de poliéster, que retém calor e podem causar facilmente alergias. Na imagem, podemos ter a real idea do tamanho dos furos que um wrap seguro deve ter.

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Cynthia, carregando sua Nina, com apoio em toda a coluna e juntinha ao corpo da mãe, sem folgas. Joelhos altos e coluna em forma de “C”, para um carregar perfeito.

Voltando à questão do sling de malha, infelizmente, mostrou na reportagem o casal usando o wrap com o bebê nas costas. Bem, os bebês adoram esta posição, sim! E nós recomendamos muito.. é bem legal e dá uma liberdade maior a quem está usando além de distribuir melhor o peso dos bebês. MAS, o wrap em malha não serve pra isso. E, na reportagem está muito mal ajustado, com o bebê frouxo e pendurado. Essa não é a forma correta e SEGURA de usar um wrap nas costas. Pra usar um wrap com bebê nas costas (ou mesmo na frente!) você precisa ajustar corretamente, o bebê, ele precisa ficar bem preso, com suporte na coluna e coladinho aos seu corpo. Não pode ter folgas entre o corpo do bebê e o corpo de quem carrega, como na imagem ao lado. Notem que o wrap da imagem não é de malha, é o Hammock, um tecido nosso, rígido, feito em tear para dar suporte ao peso do bebê e maior conforto, porém, existem vários outros tecidos que dão suporte semelhante à bebês grandes, como jacquard, sarja cruzada, linho, o dryfit, já citado, e outros. São tecidos, em geral, não-elásticos, com exceção do cotton.

Este tipo de matéria, mostrando informações erradas sobre o babywearing, tem sido muito frequente nas emissoras. Portanto, eu, em nome de todos os profissionais de alguma forma envolvidos com o babywearing, faço um apelo para que este tipo de pauta seja feita de forma mais cuidadosa. O uso de carregadores de bebê, assim como o uso de qualquer outro acessório, até mesmo cadeiras de segurança para automóveis, deve ser feito de forma correta, com cuidado e atenção para evitar possíveis acidentes. Aqui no Brasil já tem muita informação de qualidade, mas na dúvida, existem associações internacionais de babywearing com todas as questões de segurança explicadas e vídeos informativos. Uma breve busca, e um repórter já consegue boas informações.

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Tecido sendo testado quanto à composição, com Tatiana Dutra, da Mamy Mamy.

Para quem ainda não conhece, quem ainda não tem prática ou está inseguro, o babywearing é uma prática milenar, utilizada por culturas do mundo todo, que está tomando nova forma, apoiada com estudos sérios. Escolas formando profissionais capacitados e reconhecidos já existem no mundo todo, e, embora ainda não tenhamos uma escola certificada no Brasil, muitos fabricantes, e profissionais da área trabalham duro há anos pra evitar que informações assim, equivocadas e perigosas, sejam espalhadas por aí. Aqui no RJ já temos encontros gratuitos quase todos os meses, com profissionais responsáveis ensinando o uso correto do sling. Em outros estados também já existem estes encontros. Abaixo, deixarei algumas referências e grupos legais no facebook, para esclarecimento de dúvidas e informações sobre encontros.

 

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Por Andreza Espi Moriggi, proprietária da Owlet, consultora de babywearing desde 2008

Referências:

A matéria da Globo na íntegra você pode assistir aqui.

Página nova de informações seguras sobre babywearing: Brasil Babywearing

Grupo de encontros e oficinas no RJ: Slingando Seguro | RJ

Grupo de auxílio com consultoras: Bem Carregar Bebê – Brasil

Anelise Amaral (imagem cedida), dona da Snuggli Cuddles.

Tatiana Dutra (Imagens cedidas), especialista em tecidos e dona da Mamy Mamy.

Fontes de Informações e canais do You Tube:

Babywearing Internacional

Wrap You In Love (Site)

Wrap You In Love (You Tube) – amanhã terá um novo tutorial neste canal ensinando a colocar um bebê nas costas!

Mãe que Vai (You Tube)

Comentários (2)

  • Priscilla

    Olá! Gostaria de deixar uma sugestão. Não sei bem como funcionam os contatos com estes programas mas, não seria o caso de vocês aproveitarem esta oportunidade e mostrarem o trabalho de vocês? Seria muito importante para nós, mães, termos este tipo de informação também.

    responder
    • Foto de perfil de Andreza Espi Moriggi

      Andreza Espi Moriggi

      Olá, Priscilla, obrigado pela sugestão! Infelizmente esta questão na mídia ainda é bem complicada, mas creio que está começando a melhorar com a divulgação de informações importantes e adequadas. Creio que em breve, a mídia conseguirá expor trabalhos mais sérios e cuidadosos! O que podemos fazer por enquanto é compartilhar o máximo possível as informações boas já disponíveis!

      Mais uma vez, obrigado pela colaboração!
      Bjks

      responder

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