15ago
2015
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Babywearing | Estudo Científico – Parte 1: Erros Comuns

Oi, pessoal! Hoje, vamos iniciar uma série muito interessante sobre Babywearing, trazida diretamente da Organização Internacional de Babywearing, a Babywearing International, também conhecida como BWI. Nesta série serão abordados vários tipos de erros comuns na prática do babywearing. Vamos conferir?

Babywearing | Estudo Científico – Parte 1: Erros Comuns

O post de hoje é de Steffany Kerr, uma consultora de babywearing da Babywearing International de O’ahu. Steffany tem o foco de sua pesquisa nos métodos de ensino de babywearing com populações carentes e no ensino do babywearing  como intervenção para o bem-estar social.

Como Consultora de babywearing, eu muitas vezes encontro informações equivocadas ou dúvidas sobre pesquisas na prática do Babywearing. Muitas destas dúvidas estão focadas nas concordâncias dos debates sobre as melhores práticas. Durante estes debates, artigos são citados sem um pensamento cuidadoso como se qualquer informação apresentada fosse de fato importante para o tópico discutido, ou qualquer conteúdo fosse confiável, válido, e/ou estatisticamente significante o suficiente para garantir recomendações conclusivas. Além disso, muitas vezes assume-se que estão disponíveis mais estudos científicos do que nós realmente temos. Através de meu trabalho como educadora de babywearing com foco em aumentar a quantidade e qualidade do babywearing, estatisticamente relevante, igualando os estudos revisados, gasto muito tempo tentando acabar com informações equivocadas sobre estudos científicos e o que podemos deduzir das informações que estão realmente disponíveis. Nesta série dividida em 3 partes, identificarei alguns erros comuns, deixando claro quais informações estão atualmente disponíveis, e ilustrarei que esforços a indústria está realizando para aumentar o número de pesquisas específicas sobre babywearing.

Antes de aprofundar no conteúdo de pesquisas específicas, Eu gostaria de primeiramente falar sobre equívocos comuns a respeito de pesquisas científicas e credibilidade de fontes, como mitos sobre o que constitui a pesquisa científicas sobre um tema pode nos impedir de avançar para criar uma base sólida de evidências para apoiar nossas ações. Para discutir mitos associados à pesquisas dentro da indústria de babywearing, é importante entender como a pesquisa em si é definida. Como estabelecido por Cresswell (2002):

Pesquisa científica é um processo cíclico de passos que tipicamente começam com identificar um problema ou questão de pesquisa para estudo. Isso, então, envolve rever a literatura, especificando um propósito para o estudo, coletar e analisar dados, e formar uma interpretação da informação. Este processo termina em um relatório, disseminado para o publico, que é calculado e usado na comunidade educacional. (p.8).

Com um entendimento sobre o que uma pesquisa científica é, podemos agora buscar determinar como equívocos sobre o ato de pesquisar resultando informação pode negativamente afetar nossa indústria e objetivos compartilhados de aumentar a qualidade e quantidade de pesquisas científicas.

Equívocos Comuns

“A postagem deste blog diz…”

Em 2015, parece que muitas de nossas informações provêm de visualizações no Facebook, Twitter e Pinterest. Fontes como o Huffington Post têm tomado lugar como principais fontes de notícias, e postagens de blogs têm servido como uma predominante fonte de aprendizado. O que muitos não percebem é que qualquer pessoa pode se julgar como autoridade no assunto e escrever uma opinião baseada numa postagem de blog, e, que não importa o quão bonitinha e legal a informação é, o conteúdo nem sempre é baseado em evidências científica além da experiência pessoal do autor. Dado o fato de que eu estou escrevendo esta postagem de blog, acredito que esta plataforma pode ser um meio altamente efetivo de disseminar informação. Sem um sistema crítico, porém, equívocos são disseminados facilmente. Artigos de blogs são muitas vezes assumidos como verdades absolutas, ao invés do que eles são de fato: pedaços de opiniões. Artigos de blogs podem apresentar e citar pesquisas científicas, todavia, estas postagens não são pesquisas científicas. Não são artigos revisados criticamente e nem científicos. Eles não foram publicados em revistas acadêmicas, nem revisados por especialistas na matéria. Muitas vezes eles não são um resultado de pesquisas científicas. Postagens em blogs contém um monte de informações corretas e úteis, e podem até mesmo resumir e realçar estudos relevantes à uma matéria específica, mas eles não fazem parte e não são eles mesmos pesquisas científicas. É importante entender esta diferença para que possamos avaliar a importância que este item deve ter.

“Alguém tem que fazer um estudo!!!”

Este é um de meus favoritos equívocos comuns sobre pesquisa científica, quando um bem-intencionado entusiasta declara que alguém devia simplesmente conduzir um estudo. Se fosse tão simples quanto fazer esta declaração, podíamos estar submersos em uma avalanche de pesquisas. A realidade é que conduzir reais e estatisticamente significantes estudos é verdadeiramente desafiador, caro e consome uma enorme quantidade de tempo. Vamos fingir que você é um pesquisador. Antes de iniciar qualquer pesquisa você precisa desenvolver um estudo de qualidade que resultará em informações úteis. Para iniciar um estudo, você precisa primeiramente estar bem conectado e bem informado o suficiente para obter uma aprovação “Institutional Review Board (IRB)“, o que confirma que o estudo está sendo conduzido de forma ética e sem colocar em risco nenhum assunto. Normalmente você precisa estar associado à alguma instituição acadêmica ou uma grande instituição de pesquisa para conseguir a aprovação IRB. O próximo passo é obter patrocínio para o estudo, o que requer uma grande quantidade de tempo dedicada a inscrição para fundos ou solicitando um patrocínio privado. Se você for capaz de conseguir fundos, precisará então de assuntos para uma pesquisa, precisará também achar ferramentas e equipamentos (se necessário), e ter o tempo suficiente para dedicar na logística de conduzir a pesquisa. Então, você precisará analisar corretamente e interpretar os resultados da pesquisa, o que requer habilidade e software de análise. Você pode conduzir pesquisas sem algum destes passos? Claro! Mas isso pode não resultar em informações suficientemente substanciais para passar pelo passo final do nascimento deste bebê-pequisa. Para demonstrar que a pesquisa que você dirige está de acordo com as normas de qualidade e é relevante o bastante para ser levada à sério por outros pesquisadores, você precisa submeter sua pesquisa a uma enorme gama de revistas acadêmicas. Isto pode ser desafiador para o negócio de babywearing, porque outras disciplinas não reconhecem necessariamente o babywearing como uma prática merecedora de atenção para pesquisa. Temos traçado um longo caminho difundindo a consciência do babywearing nos últimos anos, todavia não somos ainda considerados um negócio profissional. Como resultado, muitas de nossos pesquisadores atuais lutam arduamente para conseguirem seus trabalhos publicados.

Existe progresso nesta área, o que será bem salientado na parte 3 desta série. Meu objetivo ao discutir este equívoco muito comum sobre pesquisas científicas agora é para ilustrar que é extremamente complicado, consome muito tempo, e pode ser muito caro conduzir o tipo de estudos que precisamos para fornecer uma base sólida para informar nossas práticas como praticantes de babywearing e consultores de babywearing.

 “Esta Pesquisa/Fonte diz…”

Como uma área em que falta um número substancial de estudos práticos específicos, percebemos que uma quantidade desproporcional de importância é muitas vezes colocada nas pouquíssimas informações que possuímos, mesmo que estas informações venham de informações oriundas de estudos aplicados com metodologias impróprias ou não possuem resultados conclusivos. Todos precisamos partir de algum ponto e trabalhar com o que temos, mas é improdutivo para nosso negócio impor conclusões mais fortes de um estudo do que seus resultados e metodologias garantem. Um exemplo comum disso é a Afirmação do Instituto Internacional de Displasia de Quadril (International Hip Dysplasia Institute) que é muitas vezes citada como uma relevante fonte de informação sobre o posicionamento. Embora esta informação seja relevante,  ela pode ser ilusória. A afirmação do IHDI não é baseada em nenuma pesquisa científica sobre babywearing existente, antes ela é extraída de evidências de áreas relacionadas. A relevância de pesquisas como as do IHDI serão abordadas na parte 2 desta série de postagens, mas é importante ressaltar que uma fonte e/ou estudo de e para si mesmo não é o suficiente pra determinar melhores práticas. É necessário conduzir estudos específicos sobre babywearing e esperançosamente repetir os resultados antes de determinar conclusivamente melhores práticas. Neste meio tempo, é necessário recorrer a matérias relacionadas ao tomar estes estudos relacionados com precaução e reconhecer que um estudo ou fonte não pode nos fornecer todas as evidências que precisamos.

O Babywearing continua a ganhar popularidade, e juntamente com a atenção da mídia aumentou seus recursos. Como quem gasta muito tempo administrando equívocos sobre pesquisas entre companheiros consultores de babywearing e entre a população em geral, sinto a necessidade de relatar estes mitos para que possamos nos unir como uma atividade, reconhecida por nossos obstáculos e objetivos por continuar a profissionalização. Huck (2008) declara, “Leitores da literatura de pesquisas precisam estar atentos para alegações infundadas sobre a validade e para casos onde a questão da validade não é administrada absolutamente.” (94). Ser capaz de analisar completamente a credibilidade de nossas fontes e avaliar a qualidade e relevância irá inerentemente aumentar nossa habilidade de promover evidências baseadas em práticas. Identificar equívocos comuns sobre as informações que temos disponíveis dentro da atividade de babywearing nos permite determinar métodos eficientes para progredir com a criação de bases de pesquisa mais específicas e sonoras no futuro.

Fontes:

Creswell, J.W. (2002). Educational Research: Planning, Conducting, and Evaluating Quantitative and Qualitative Research. Upper Saddle River, NJ: Pearson Education.

Huck, S.W. (2008). Reading Statistics and Research. Boston, MA: Pearson.

Tradução: Andreza Espi Moriggi
Texto Extraído de Babywearing International Org

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